novembro 16, 2015

Turismo sustentável - Trilha do Costão de Itacoatiara - Niterói

Autor: Ana Carolina R. Araujo


Facilidades e acessibilidade para o turista



A trilha do Costão de Itacoatiara (ou Morro do Tucum) está localizada no Parque Estadual da Serra da Tiririca, na cidade de Niterói, estado do Rio de Janeiro. O acesso a trilha começa na localidade de Itacoatiara, um bairro pequeno, tranquilo e cercado pela vegetação de Mata Atlântica na Região Oceânica de Niterói. O bairro ficou conhecido internacionalmente por sua praia, de mesmo nome, que abriga campeonatos de Bodyboard, além de atrair turistas por sua beleza natural exuberante.


Costão de Itacoatiara ou Morro do Tucum. Fonte: INEA/RJ


Itacoatiara é preservada por seus próprios moradores por meio de algumas restrições. O bairro é predominantemente residencial existindo alguns quiosques na beira da praia, uma banca de jornal, e uma pequena loja de sucos na rua principal. Além disso, são coibidos no local, eventos musicais que atraiam grandes aglomerações.


O bairro e a praia de Itacoatiara vistos de cima do Costão – Arquivo pessoal.


Quem frequenta Itacoatiara, seja para ir a praia, para descansar, praticar surf, conhecer as trilhas do Parque, praticar escalada ou outro esporte, não encontra uma boa estrutura de apoio ao turista, tendo em vista que no local não existe banheiro público. Não se tem conhecimento se a ausência se dá por falta de investimento público ou se por opção de órgãos ou comunidade local.

Ao perguntar aos guarda-parques na entrada da trilha do Costão e do Bananal, a resposta que o turista obtém é de que o banheiro é de uso exclusivo dos funcionários.

Até que ponto a carência de infraestrutura é sustentável, pois o local está se consolidando como um belo atrativo turístico para a cidade, atraindo os olhares inclusive de turistas internacionais.



Entrada da Trilha. Sede do Parque Estadual da Serra da Tiririca em Itacoatiara.

Vale destacar que com o passar do tempo, a trilha do Costão se tornou mais popular e vem sendo cada vez mais visitada por grupos de turistas. No período do inverno de 2015, houve dias onde se registraram filas ainda na entrada da sede.
Além disso, nos finais de semana, o local tem ficado bastante cheio, o que tem ocasionado trabalho excessivo para o pequeno número de funcionários do Parque. Segundo, esses, há registro de dias com até 1500 visitantes.

Dentre esse grande número de turistas estão pessoas de diversos públicos, desde pessoas que nunca fizeram trilhas a desportistas que já estão acostumados com as dificuldades deste tipo de atividade.

A trilha não é de grande dificuldade, mas em determinado ponto da subida, existe uma inclinação na parte rochosa que pode ser considerado um obstáculo para os iniciantes. Nos dias mais cheios, os guardas tinham que subir até esse ponto para monitorar e ajudar os visitantes.

Sem orientação, muitas vezes os visitantes se apoiavam e seguravam na vegetação para auxiliar na subida, o que pode ser não somente um risco para o turista, pois pode ocorrer algum acidente, mas também representa uma agressão à natureza, comprometendo a fauna e a flora do local.

Para resolver isso, o Parque utilizou madeiras e bambus construindo uma espécie de corrimão para auxiliar o visitante na subida que agora é feita por um caminho alternativo, ao lado da pedra, tendo em vista que a subida pela pedra gera dificuldades para algumas pessoas, o que tornava o passeio inacessível para alguns.

Como era feita a subida antes. Foto: Arquivo pessoal.


O novo caminho sinalizado e cercado por madeiras e bambus. Foto: Arquivo pessoal.
Ao percorrer a trilha após essa mudança feita pelo Parque, encontrei diversos visitantes que gostaram muito da mudança. Pessoas que nunca tinham subido o Costão, que tinham medo de altura e de escorregar na pedra, e até pais com crianças pequenas. Todos apoiaram essa iniciativa que consideraram ser uma melhoria no acesso à trilha, possibilitando que diversas pessoas, independente da idade e condição física, tenham mais facilidade para aproveitar o atrativo natural.

No entanto, no que diz respeito a valorização do trabalho do Parque e à conscientização do turista, Itacoatiara ainda tem muito trabalho a ser feito, pois existem alguns problemas que precisam ser olhados, tais como: placas de sinalização estão danificadas, árvores com nomes talhados, e pedras pichadas ao longo do caminho de quem visita o local. Isso demanda a elaboração de projetos ou campanhas de educação ambiental, para que o público aprenda a preservar o patrimônio natural, e até mesmo aprender a interpretar as trilhas do Parque


Placa de sinalização pichada por frequentadores do local. Foto: Arquivo pessoal.

Um outro exemplo de uma ação que funcionou, é a do Parque Estadual da Pedra Azul localizado no município de Domingos Martins no Espírito Santo. O auxílio da corda foi instalado na trilha das Piscinas Naturais que possui um percurso de 2500 metros (ida e volta) que leva o turista até as piscinas naturais escavadas sobre a rocha. Nessa trilha, a corda é utilizada para escalar um trecho de 97 m.


Parque Estadual da Pedra Azul – ES. Foto: Eduardo Vessoni – fonte: Uol Viagem


O exemplo do Espírito Santo mostra que é possível a utilização equipamentos artificiais que não descaracterizam tanto o local, e que ao mesmo tempo possibilitam que todas as pessoas desfrutem do que pertence a todos os cidadãos. No caso do Costão de Itacoatiara o trecho inclinado é menor que este da Pedra Azul, o que não o torna menos importante.

O Parque Estadual da Serra da Tiririca mostrou que está atento e em busca de incentivar um turismo sustentável. Porém, a ausência de banheiros no bairro; a falta de limitação de número de visitantes ou monitoramento da pegada deixada pela grande quantidade de pessoas que entram no Parque todos os dias; e a conscientização do próprio visitante são algumas questões que podem passar despercebidas, mas que são de extrema importância para que se chegue o mais próximo possível de um turismo sustentável de verdade.

Diante dos fatos expostos pode-se concluir que o planejamento e a instalação de uma infraestrutura adequada pode contribuir para o desenvolvimento do turismo em consonância com a preservação dos recursos naturais, dando a todos a oportunidade de apreciar tamanha beleza.


REFERÊNCIAS: